Alguns dos carros pilotados por Moco

A seguir uma lista de alguns dos carros pilotados por Jose Carlos Pace

F-1 – March 711-Ford, Surtees-Ford TS 9B, Surtees-Ford TS14, Surtees-Ford TS 16, Brabham BT42-Ford, Brabham BT-44 Ford, Brabham B-45 Alfa Romeo

F2 March 712-Ford, Pygmee-Ford, Surtees-Ford

F3 Lotus-Ford

Fórmula Vê – Fitti-Vê

Protótipos – Ferrari, Gulf-Mirage-Ford, AMS-Ford, Alfa-Romeo P33, Shadow-Chevrolet (Can-Am), Karmann-Ghia Porsche, Protótipo Bino, VW-Dacon

Turismo – Maverick V8, Maverick 4 cilindros, Alfa-Romeo GTA, Renault 1093, Carretera Gordini, DKW, Willys Interlagos, Ford Corcel

As fabulosas Alfa GTA e a Equipe Jolly Gancia

Artigo de Carlos de Paula

Durante os anos 20 a 50 a Alfa Romeo teve um papel muito importante no automobilismo mundial. De fato, após a Segunda Guerra Mundial a Alfa-Romeo dominou a F-1 nos primeiros anos, mas decidiu abandonar as pistas após 1951. No Brasil, a Alfa já tinha um belo histórico de vitórias, inclusive o grande triunfo de Pintacuda na Gávea, batendo o piloto alemão Hans Stuck com o Auto-Union, em 1936. Alguns monopostos da marca ficaram no Brasil, sendo mais tarde utilizados na Mecânica Continental até a década de 60.

Salvo por uma mal fadada tentativa na categoria esporte, com o Disco Volante, a Alfa-Romeo praticamente desapareceu do automobilismo mundial de primeira linha, durante grande parte dos anos 50 e começo da década de 60. Exceto por participações de carros de turismo da fábrica na Mille Miglia, era raro ver Alfas em corridas importantes.

 

O italiano Emilio Zambello já se iniciara no automobilismo brasileiro nos anos 50, chegando a correr nas Mil Milhas de 1957 com uma carretera Fiat, em dupla com Ruggero Peruzzo, obviamente sem grandes condições de bater carros bem mais potentes: chegaram em 10° lugar. Em 1960 a Alfa-Romeo viria a ressurgir de forma estrondosa no automobilismo brasileiro, embora com nome diferente. A FNM lançara em 1960 um carro de luxo, que foi dado o nome JK. Esse carro era fabricado pela Alfa-Romeo na Itália em meados da década de 50 e, atipicamente, de grande porte. No Brasil o JK era o carro mais moderno, potente e caro, entre outras coisas, com câmbio de cinco marchas. Ao estrear nas pistas, o JK saiu ganhando da cara. As vitórias foram muitas, entre 1960 e 62, nas principais corridas do país, inclusive nas Mil Milhas, 24 Horas de Interlagos e a primeira edição dos 1000 km de Brasília.

 

Entre os pilotos que usaram JK na época estava Emilio Zambello, que eventualmente substituiu os JK por outros modelos de Alfa-Romeo italianos, usados por Zambello em corridas de carreteras e de carros turismo. Entre outras, usou a Alfa Zagato, a Alfa Giulia e Giulietta. Zambello acabou dono da concessão de venda das Alfas importadas no Brasil, que chamou de Jolly, em homenagem à grande escuderia/clube italiano, e passou a usar o automobilismo de competição para promover seus produtos.

 

Piero Gancia era outro italiano, herdeiro da Martini-Rossi, que vivia no Brasil. Os dois peninsulares acabaram juntando forças, e formando a equipe Jolly Gancia. No início, os carros eram tocados pelos dois “gentlemen drivers”, durante a época em que dominavam as corridas as três equipes de fábrica, a Willys, Vemag e Simca. Eventualmente, passaram a contratar pilotos profissionais, entre os melhores da época.

 

Na Europa, a Alfa-Romeo voltava pouco a pouco ao automobilismo. Primeiro com a TZ, carro da categoria GT, e logo foi lançada a série Giulia. Com a criação do campeonato Europeu de Turismo, em 1963, a Alfa viu uma oportunidade certeira de voltar a brilhar nas pistas. O engenheiro Carlo Chiti, ex-Ferrari, que havia abandonado a Scuderia em 1962, e participado do fracassado projeto ATS, formara a Autodelta, que acabou convidada pela Alfa-Romeo a ser, efetivamente, seu departamento de competições. Esta passou a dar um tratamento especial às Alfas de turismo, e algumas destas Alfas bem preparadas foram chegando ao Brasil.

 

Nessa fase inicial, as Alfas ainda não eram os carros mais rápidos do país, perdendo para os Alpine, KG-Porsche, Malzonis, Simca-Abarth e algum ou outro especial que aparecia, como o Fitti-Porsche, a até mesmo a carretera 18 de Camilo Cristófaro. Mesmo sem ser os carros mais rápidos, as Alfas preparadas pelo especialista Giuseppe Perego eram muito resistentes, e como as corridas da época eram longas, Piero Gancia acabou se tornando campeão brasileiro de 1966, e de quebra, ganhou o primeiro Ranking Brasileiro de Pilotos promovido pela revista Auto-Esporte, em 1967.

 

As quadradinhas Giulias eventualmente deram lugar às rapidíssimas Alfas GTA e GTAM, que tanto furor fizeram no ETC, ganho por Andrea de Adamich em 1966 e 67. Aí iniciou-se uma fase de ouro para a Equipe Jolly, que com o fechamento da Dacon e das três equipes de fábrica (apesar de uma participação básica da Ford) praticamente ficara sem concorrentes. Além dos gentlemen Zambello e Gancia, um bom número de pilotos correu com as cores da Jolly: Wilson Fittipaldi Jr., Chico Lameirão, Pedro Victor de Lamare, Ubaldo Cesar Lolli, Marivaldo Fernandes, Totó Porto, José Carlos Pace, Tite Catapani, Mario Olivetti, Luis Fernando Terra Smith e outros. A Jolly ganhou muitas corridas na época, esporadicamente perdendo para o Protótipo Bino, ou numa tarde inspirada, para os BMW. Uma geração inteira acostumou-se com deliciosas fotos de Alfas GTA’s com duas rodas fora do chão, correndo nos poucos autódromos e circuitos de rua do país, e às vezes em estradas, como na Prova Rodovia do Café.

 

Infelizmente a época de ouro da Jolly, uma equipe paulista, coincidiu com o fechamento da pista de Interlagos para reformas, entre 1968 a 1969. Interlagos deixou de presenciar um dos mais fabulosos carros que correram no Brasil até aquela época: a Alfa P33 vermelha, o mesmo carro que chegara em 4° lugar em Le Mans em 1968. Com esse carro de 2 litros, José Carlos Pace e Marivaldo Fernandes ganharam muitas corridas em 1969, revezando-se na condução do bólido. Cabe lembrar que nessa época já corriam aqui uma Lola T70 de cinco litros e um Ford GT 40. Além da P-33, as Alfas GTA 23, 25 e 27 continuaram a correr como coadjuvantes, acumulando bons resultados para a Jolly, que se tornou campeã brasileira mais uma vez, desta feita com José Carlos Pace. Foi num treino em Interlagos, entretanto, que a P-33 acabou destruída por Marivaldo, e em 1970 a Jolly voltou a usar suas GTA e a recém chegada GTAM de 2 litros. Pace se fora para a Europa correr na F3, e entre outros a Jolly teve como pilotos os dois irmãos herdeiros do Pão de Açucar, Abílio (pai de Pedro Diniz) e Alcidez Diniz. Além das vitórias de Marivaldo/Zambello, nos 1000 km de Brasilia, e de Catapani/Gancia nos 250 km, foram os Diniz os responsáveis pelas duas últimas grandes vitórias da Jolly: as Mil Milhas de 1970 e as 12 Horas de Interlagos de 1971. De fato, Abílio chegou à última corrida do campeonato de 1971 com chances de se sagrar campeão brasileiro, mas acabou cedendo o título (e o vice) para a dupla da Hollywood, Lian Duarte e Chico Lameirão.

 

Em 1972, a face do automobilismo brasileiro estava mudada. As corridas de longa distância deixaram de ser realizadas naquele ano, e a Equipe Hollywood dominava as “sprints” com seu Porsche 908/2 e a Lola T210. Surgiam também muitos ágeis protótipos brasileiros, como Avallone, Casari, Heve, etc. na Divisão 4, e o campeonato de carros turismo, a Divisão 3, era limitado para carros brasileiros. Ou seja, as Alfa GTA e mesmo a GTAM não eram mais competitivas para vitórias gerais, não podiam correr nas provas de turismo, e desapareceram das pistas. A Jolly ainda participou dos 500 KM de Interlagos com uma Alfa T33, com Marivaldo Fernandes, chegando em 4° lugar, mas no fim do ano os carros estrangeiros de competição foram proibidos de correr no Brasil, efetivamente acabando com a Jolly.

 

Como concessionária Alfa-Romeo, e eventualmente Fiat, a Jolly ainda chegou a patrocinar alguns Alfa 2300 e Fiat em corridas de Divisão 1. Em 1978, Jose Rubens Romano ganhou quatro provas de Divisão 1, com um Fiat 147 patrocinado pela Jolly/Vasp.

 

As GTA continuam a correr no Brasil até hoje, entretanto. Diversos dos principais protagonistas do Campeonato de Carros Clássicos são Alfas GTA com roupagem mais nova.

 

Algumas das Principais Vitórias da Equipe Jolly:

 

1965

3 Hrs de Velocidade – Emilio Zambello – Alfa Giulia

 

1966

1000 km Brasilia – Piero Gancia/Marivaldo Fernandes – Alfa Giulia

24 Horas Interlagos – Emilio Zambello/Ubaldo Cesar Lolli – Alfa Giulia

 

1967

3 Horas de Velocidade – Piero Gancia – Alfa GTA

300 km Goiania – Ubaldo Cesar Lolli – Alfa Giulietta SZ

Premio Ney Braga – Piero Gancia – Alfa GTA

 

1968

1000 km da Guanabara – Francisco Lameirão/Wilson Fittipaldi Jr. – Alfa GTA

Prova Rodovia do Café – Ubaldo Cesar Lolli – Alfa GTA

500 km Guanabara – Francisco Lameirão/Emilio Zambello – Alfa GTA

GP Jaime Pimentel – Piero Gancia – Alfa GTA

 

1969

1000 km Brasilia – Jose Carlos Pace/Marivaldo Fernandes – Alfa GTA

3 Hrs Rio de Janeiro – José Carlos Pace – Alfa P-33

500 km Salvador – José Carlos Pace/Marivaldo Fernandes – Alfa P-33

Curitiba – José Carlos Pace – Alfa P-33

GP Costa e Silva – Emilio Zambello Alfa GTA 1900

Porto Alegre – Emillio Zambello – Alfa GTA 1900

GP Fortaleza – Marivaldo Fernandes/Luis F. Terra Smith – Alfa GTA

1970

Mil Milhas Brasileiras – Abilio Diniz/Alcides Diniz – Alfa GTAM

250 Milhas de Interlagos – Tite Catapani /Piero Gancia– Alfa GTA

1000 km Brasilia – Marivaldo Fernandes/Emilio Zambello – Alfa GTA

1971

12 Horas de Interlagos – Abilio Diniz/Alcides Diniz – Alfa GTAM